...
"Tomados
pela Síndrome da Prateleira temos medo de arriscar, de viver uma
instabilidade. Se não for programado, previsível, e se tiver
possibilidades de risco, não interessa.
Então
onde entra o amor? Estamos tão frouxos para as sensações que
abdicamos do amor por não sabemos lidar. Não consideramos a
possibilidade de experimentar este sentimento que Platão constatou
como uma busca pela beleza em toda sua razão essencial.
Na
civilização do espetáculo poucos indivíduos buscam a vivência da
sensação em sua potencialidade, mas sim espetaculizam
cada aspecto da vida para poder viver a projeção das felicidades..
A experiência do amor para muitos não é válida, só se for
seguida dos preceitos formulados pela publicidade. O amor não é
vivido em suas múltiplas possibilidades do casal, precisa entrar na
regra, nós determinismos que a sociedade busca.
O
problema é que o amor ainda existe! Mas ninguém mais quer arriscar.
O ser humano moderno precisa essencialmente se permitir, possibilitar
a experimentação deste sentimento que só leva para o real
conhecimento da beleza, o real conhecimento do relacionamento com o
outro. Os casamentos fracassam porque nós projetamos nossas vontades
no outro, sem a consciência de que o outro não é meu, e tem todas
suas potencialidades de ser totalmente diferente. Os relacionamentos
fracassam porque hoje em dia não sabemos admirar a diferença, muito
pelo contrário, queremos mudar o que nos incomoda, temos que
encaixar na nossa prateleira, e se não encaixa, é mais fácil jogar
fora."
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Trecho do trabalho de Comunicação comparada, refletindo sobre o amor atualmente.